Zahar

Blog da editora

Entrevista exclusiva: Aili McConnon e Andres McConnon

19 de Novembro de 2012
Autores de O Leão da Toscana, Aili e Andres McConnon falam sobre a trajetória do ciclista Gino Bartali.
 
 
 Como começou o interesse de vocês pela trajetória de Gino Bartali?
Há dez anos atrás, Andres estava comemorando do lado de fora do Tour de France. Havia uma discussão acontecendo entre os fãs e a imprensa sobre os grandes ciclistas que ganharam a corrida nos anos 30. Um homem chamou a sua atenção: Gino Bartali, que foi o atleta mais famoso da Itália na sua época, por vencer o Tour em 1938 e, depois, novamente em 1948. Andres ficou imediatamente fascinado sobre como Bartali conseguiu se manter no topo do seu esporte, enquanto a Segunda Guerra Mundial interrompia a sua carreira. 
Enquanto isso, Aili estava criando uma antologia em Nova York, que reunia diferentes ícones literários, como Seamus Heaney, para falar sobre o genocídio e a guerra. Andres ligou para Aili para falar sobre o Tour e mencionou Gino Bartali. Aili ficou intrigada e, rapidamente, descobriu uma pequena nota em um jornal italiano sobre trabalhos de resgate secretos que Bartali teria feito para ajudar os judeus durante o Holocausto na Itália. Quando nos demos conta, a história de Bartali combinava um apelo dramático de um esporte pouco valorizado com uma saga secreta de um herói do Holocausto. Nós sabíamos que o germe dessa ideia precisava ser desenvolvido em um livro.

Como foi a pesquisa para o livro? Vocês trabalharam com muitas entrevistas ou fizeram visitas a arquivos e bibliotecas?
Nossa pesquisa nos levou pela França, Israel e Itália, visitando lugares que variavam de montanhas onde eram disputadas as principais corridas de Bartali, até cavernas subterrâneas de Assis, onde os judeus eram frequentemente abrigados durante a guerra, e os cavernosos arquivos do governo, onde a polícia secreta fascista mantinha relatórios sobre Bartali, guardados próximos a casa de um senhor cuja família Bartali havia salvo, em Tel Aviv. Como muito de nossa narrativa foi baseada em pesquisa original, entrevistas com testemunhas oculares e especialistas foram uma parte crítica de nosso trabalho. Encontrar a pessoa correta pode ser um desafio. Passamos um tempo na cidade natal de Bartali, nos arredores de Florença, onde encontramos um colega de escola de Bartali no único bar e café da cidade. Também refizemos os passos de Bartali em Assis, durante as suas missões de resgate e salvamento em outras partes da Itália.
Procuramos entrevistar todo judeu que passou os anos da guerra na Toscana ou Umbria. Muitos, claro, deixaram a Itália depois da guerra, então, isso significou ir atrás de pessoas pelos Estados Unidos, Inglaterra, Israel e outros lugares. Achamos Giorgio Goldenberg, por exemplo, porque descobrimos um senhor em Londres que havia sido colega de classe da irmã de Giorgio no ensino fundamental, em Florença, 50 anos atrás, e a ela lhe contou uma vez como Bartali ajudou e salvou sua família. 
Em toda a nossa pesquisa, tentamos nos certificar de que entrevistamos pessoas num espectro muito amplo da sociedade. Tanto um ex-presidente da Itália, como Oscar Scalfaro, ou um possível assassino que atirou em um político proeminente durante o Tour de France de 1948, tivemos a sorte de descobrir uma grande variedade de pessoas que foram impactadas por Bartali de diferentes formas.

Na opinião de vocês o que há de mais incrível nessa história?
No topo da sua carreira, Bartali era tão famoso na Itália quanto Pelé ou Ronaldinho são no Brasil. Ele era constantemente comentado nos jornais – e foi inspiração de um impressionante conjunto de poesia, música, arte e teatro. Ele era também amigo de uma série de políticos proeminentes, vários papas e uma variedade de artistas famosos como Luciano Pavarotti. Milhões de fãs de ciclismo cresceram assistindo a suas corridas.
E com toda a fama que Bartali alcançou no ciclismo, é incrível que tão pouca gente tome conhecimento de seu trabalho heroico durante o período de guerra. Então, atualmente, ele é mais conhecido pelo que ele acumulou como ciclista no Tour de France, mas a sua mais duradoura contribuição – ajudar a salvar a vida de judeus na Itália durante a Segunda Guerra Mundial – ficou longe do mundo emocionante das corridas profissionais.
Categorias: Entrevistas